Nossas orações diante da soberania de Deus

Um diálogo com o Divino.

Arlei Carvalho

1/23/2024

Em nossa caminhada por fé, a prática da oração emerge como um fico condutor que conecta o coração humano aos desígnios divinos. Ao longo das Escrituras, encontramos inúmeras referências à oração, revelando sua essência profunda e sua relevância contínua para a jornada espiritual do crente.

A fundamentação bíblica da oração é estabelecida nas próprias palavras de Jesus, quando Ele nos instrui em Mateus 6:6 a orar em secreto, e promete que o Pai, que vê em secreto, nos recompensará. Nesse ensinamento, somos convidados a entrar em um espaço íntimo com o Criador, compartilhando com Ele nossas alegrias, lutas e anseios mais profundos.

No cerne da prática da oração está a fé. Tiago, em sua epístola (Tiago 1:6), nos exorta a orar com fé, sem duvidar, reconhecendo que a dúvida é como as ondas do mar, instáveis e inconstantes. Essa exortação nos desafia a lançar todas as nossas ansiedades diante de Deus, confiando plenamente em Sua providência e soberania.

Na teologia reformada, encontramos a doutrina da soberania divina, que ressalta a supremacia absoluta de Deus sobre todas as coisas. Dentro dessa perspectiva, a oração não é uma tentativa de manipular a vontade de Deus, mas sim um reconhecimento humilde de nossa dependência d'Ele. Como disse Jonathan Edwards, "a oração é o respiro da alma", enfatizando sua vital importância na vida do crente.

Ao mesmo tempo em que reconhecemos a soberania de Deus, somos encorajados a persistir na oração. Jesus ilustra essa verdade na parábola do juiz iníquo em Lucas 18:1-8, onde Ele nos mostra que devemos orar sempre e nunca desanimar. A oração persistente reflete nossa confiança inabalável no poder e na bondade de Deus, mesmo diante das circunstâncias mais desafiadoras.

Quando nos engajamos na prática da oração, experimentamos não apenas mudanças em nossas circunstâncias externas, mas também transformações profundas em nossos corações. A oração molda nossa mente, emoções e vontade à imagem de Cristo, tornando-nos mais sensíveis à voz do Espírito Santo e mais inclinados à obediência aos mandamentos de Deus.

Portanto, que cada um de nós se lance com fervor à prática da oração, buscando não apenas os benefícios tangíveis que ela pode trazer, mas, acima de tudo, uma comunhão mais profunda e íntima com nosso Pai celestial. Que sejamos persistentes, confiantes e humildes em nossa abordagem, sabendo que aquele que busca, encontra, e aquele que bate, a porta será aberta.

Que a oração seja o pilar da nossa fé, a força da nossa esperança e a fonte de nossa alegria em todas as circunstâncias da vida.

Deus abençoe!